A porta de saída

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*Wadih Damous
 
O Brasil não merece, às vésperas do campeonato mundial de futebol, continuar tendo como dirigente da CBF e do Comitê Organizador da Copa alguém que contribuiu, com os seus discursos políticos, para o brutal assassinato do jornalista Vladimir Herzog, durante a ditadura militar. Este é, acredito, o sentimento de todos os cidadãos que lutaram pelo restabelecimento da democracia e que ainda choram pelos familiares mortos, desaparecidos e torturados pela repressão.
 José Maria Marin bem poderia ter a coragem de dar de presente aos torcedores brasileiros sua renúncia ao cargo. Os discursos resgatados pela Comissão da Verdade de São Paulo, proferidos por ele à época em que era deputado pela Arena, são claríssimos ao requerer providências contra a “comunização” da TV Cultura, da qual Herzog era diretor. Dias depois, o jornalista foi morto nas dependências do DOI-Codi.
 A permanência de Marin à frente da CBF indigna a sociedade e é motivo de constrangimento para o governo perante as nações democráticas que virão ao nosso país participar da Copa do Mundo. Como explicá-la?
 Melhor seria que ele fosse para casa, e que se aproveitasse sua saída para fazer na CBF uma grande festa da democracia, banindo práticas inaceitáveis que deslustram nosso esporte mais querido.
 Para começar, a gestão desportiva deve ser regulada pelo Estado, para que sejam coibidas as negociatas e instituída a transparência administrativa em nossas instituições. Nesse sentido, está em tramitação no Congresso a Proposta de Emenda Constitucional 201/2012, conhecida como PEC Dr. Sócrates. Vamos apoiá-la.
 E para coroar a festa, o Engenhão deve ser rebatizado como Estádio João Saldanha — este, sim, um brasileiro que honrou seu país.
 
**Wadih Damous é presidente da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB.
 
Artigo publicado no jornal O Dia
 
Seg, 27 de Maio de 2013 12:30